sábado, 6 de agosto de 2011

REFÉNS DE NOSSA INCAPACIDADE


Muito tenho refletido no quanto estamos sendo reféns de nossa incapacidade, pautamos nossas atitudes, nossas opiniões e nossas escolhas baseados mais em nossas dificuldades do que em nossas potencialidades.
Calamos por medo, por insegurança ou falsa segurança, preferimos moldar nossa personalidade para ser aceito, para não perder o emprego, para ter um relacionamento, para seguir a moda, motivos não faltam. Mas e nós? No que estamos nos transformando e o que realmente somos, no que acreditamos, quais são nossos verdadeiros valores?
Expressões como ser politicamente correto, dançar conforme a música, ser diplomático estão sendo utilizadas para mascarar a falsidade, a falta de personalidade, o senso critico e a livre expressão. O instinto de sobrevivência está transformando seres pensantes em reféns de seus medos, as pessoas sentem-se cada vez mais incapazes, preferem defender a própria desgraça e manter-se nela do que defender ideais, viver o que pensam e acreditam.
O egoísmo, o consumismo, o individualismo estão agindo como um câncer silencioso apoderando-se dos valores e do ser, causando efeitos nefastos nas pessoas e em nossa sociedade.
Muitos já se acostumaram a ser subservientes, passivos, não defendem o que realmente acreditam. Não se colocam diante de uma situação que exige posicionamento e definição, transformando-se em pessoas nulas, desinteressantes e vazias.
E esse vazio causado pela indiferença da maioria é preenchido por ditaduras de interesses, conduzindo as pessoas para algo que não acreditam e não sentem, apenas vivenciam rotinas pré-estabelecidas, deixam de escolher seus caminhos porque não conseguem mais nem saber para onde ir, a grande maioria não passa de vendidos, marionetes vítimas da manipulação existente graças a não capacidade de optar por novas escolhas.
Sons e imagens estão por toda parte. Bombardeio de informações, não escutamos e nem olhamos para nós mesmos, preferimos os modelos prontos como roupas de lojas de departamento que nem sempre se encaixam em nossas medidas, somos fruto dessa massificação, frutos podres.
E os culpados? Nós mesmos.
Alexandre Malosti

4 comentários:

Lucimara Fernandes disse...

Oi Ale,
Este texto veio a calhar com o momento que estou vivendo hoje... Estou me sentindo exatamente assim, refém da minha incapacidade de resolver os próprios problemas...
Parabéns pelo post!
E obrigada por tudo!
Beijos

Alexandre Malosti disse...

Lú.. não acho que vc esteja nessa incapacidade.. pelo contrário... você já está no caminho da solução... eu sei como é isso... mas o mais importante é não ficar na acomodação.. tem que se abrir para o novo... você já fez isso.. Vai dar tudo certo..... Beijos e obrigado....

Anônimo disse...

Visualizei meu filho, em suas queixas. Ele está sendo triturado pelo sistema. A sorte é que meu filho não é um poeta então sofre bem menos. Sua tristeza é idêntica ao do Pequeno Príncipe, o Exuperry inspirou suas palavras nesse belíssimo desabafo. Concordo com tudo o que foi dito. Bjs
Vou lê-lo para o Hugo. Teresa

Alexandre Malosti disse...

Teresa ... tanto em suas declamações como em seus comentarios você nos engrandece, vendo beleza, entendendo dores, desababos.... Da uma dimensão maior ao que escrevemos... obrigado por seu comentário.. sempre profundo e rico.... Beijos e obrigado....