domingo, 5 de fevereiro de 2012

CASA DE VIDRO


Aprisionados na casa de vidro
pelo querer, pelo desejo
Casa de vidro aprisionada
Por montanhas, árvores, rios e pássaros
cárcere que liberta
Remete a novos horizontes
Reclusão que faz refletir, que faz sonhar
Portas fechadas libertam da rotina
Cotidiano preso do lado de fora
Cimento queimado, libélula e sapos
Sapos inertes, de silêncio profundo
Angústias esvaem seguindo o cheiro da mirra
Gargalhadas em doses de vinho seco
Corpos embalados por sons, batidas e estalos
Lagarto guardião da lareira
Tijolos, pedras e madeira
Fogo que aquece, hipnotiza
Fumaça cruza a chaminé ao encontro das estrelas
Brisa, brisa da noite, névoa silenciosa
Madrugada clara, grama molhada
Sons de águas em movimento
Lua, estrelas e cachoeira
Presos libertos
Na casa de vidro
Alexandre Malosti

4 comentários:

Anônimo disse...

Casa do inconsciente descoberto, frágil qual cristal puro, o ritmo da vida permanece, e lá está ela, nos inquirindo, nos culpando, a implacável e exorável culpa, culpa pela omissão, não pelo mal feito, porque nós, ridículos e limitados homens, somos os próprios defeitos e anomalias criados pelo tal dono do universo. E a poesia resiste. Belo poema.
Abraços Poéticos.
André Bianc

ALEXANDRE WAGNER MALOSTI disse...

Obrigado mestre Bianc... preciso parar um pouco.. caso contrário me reduzirei a nada... a verdade a qual lutamos diariamente para não encarar... Abraços

MÁRCIO VACCARI disse...

Lendo Casa de Vidro me lembrei da Lina. Instigante esse poema. Grande abraço.

ALEXANDRE WAGNER MALOSTI disse...

Valeu Vaccari... por onde andas meu amigo... Aparece ai para tomarmos aquele chopp .. e a historia do lirio.. quero ver o defescho disso ai .. Abraço