domingo, 14 de outubro de 2012

SOLTANDO AS AMARRAS



Eis o senhor ansiedade que vos fala.

Ela é pegajosa, gruda, nos incomoda e nos sufoca. Queremos fazer isso, aquilo e mais um pouco, além do desejo de resultados que acompanha todo o processo.

Mas pare e respire.

Na busca do que acreditamos, ficamos tão sufocados que não deixamos a vida fluir, existe um fluxo. Ele pode ser notado nos contatos inesperados, nos encontros não combinados e nos projetos não planejados. Acontecem de um bate papo sem propósitos, de indicação de amigos e desconhecidos.

A mente trabalhando incessantemente pode nos aprisionar em nossas limitações quando agimos individualmente, ignorando o fluxo que segue natural e calmo. Criamos uma armadura a nossa volta e expelimos possibilidades. Vestidos da ansiedade, perdemos nossa atração, deixamos de exercer nosso magnetismo e repelimos situações que podem viabilizar nossos desejos.

Ter foco é essencial, mas não podemos cegar por conta dele. Ao contrário, devemos estar abertos sem aquele aperto no peito que restringe nossas ações.

Vamos respirar fundo, de peito aberto, receptíveis, acolhedores, ouvindo e vendo o que acontece, tirando as amarras da ansiedade.

Vamos soltar as amarras e seguir o fluxo.
É o senhor ansiedade que vos fala.

Alexandre Malosti 

domingo, 30 de setembro de 2012

IMAGINAÇÃO FÉRTIL E PERIGOSA



Encontrei essa antiga imagem em um livro sobre arqueologia, descrevendo os significados dos símbolos e seu contexto para a época. Segundo o autor a imagem descreve a adoração dos membros daquela tribo pelo Deus Nyoveds, que representa a abundância e a fartura na caça e agricultura. Ao saírem para caçar os membros da tribo colocam uma máscara de proteção vista em um dos círculos, a representação humana aparece com movimentos de dança oferecendo presentes para a divindade, duas figuras animalescas representam provavelmente suas presas e as árvores que circundam a mandala representam o cultivo, a agricultura. Tudo é descrito de forma cíclica, levando a crer que esses povos antigos já tinham noção de tempo e possuíam seu próprio calendário.

Gostou da descrição da imagem? Pode parar.
Tudo isso foi inventado nesse momento, a imagem não é antiga, fiz ontem em um programa gráfico para me distrair. Durante essa distração comecei a refletir sobre o quanto somos vulneráveis aos fatos do passado, documentos e principalmente interpretações de terceiros. Basta estar registrado em um livro que a maioria acredita sem questionar, tomam como verdade absoluta e não estão abertos ao questionamento e a possibilidade daquela informação não passar de especulação e suposição frutos da mente de outro humano igual a nós.

Hoje isso acontece em nosso dia a dia em propagandas impressas, na TV e principalmente na Internet. Nossa preguiça e o cada vez mais distante raciocínio crítico nos levam a uma condução fácil e manipulação indiscriminada.

E como questionar tudo isso? Como saber se os fatos narrados foram verdades ou viagens de uma mente fértil? Não tenho essa resposta. Creio que quando se fala em autoconhecimento, mergulho interior, é conseguir acessar esses insights, conseguir colocar-se fora do contexto e usar do raciocínio e da intuição para se fazer uma leitura imparcial dos fatos e mensagens.

É difícil sair questionando tudo e nem há necessidade disso, apenas estar mais alerta em relação aos fatos, depoimentos e a própria estória.

Nossa imaginação é fértil e consequentemente perigosa. 

Alexandre Malosti 

domingo, 9 de setembro de 2012

FAZENDO AS PAZES COM O TEMPO...


Mais um devaneio do Malosti.  Tenho percebido e refletido sobre minha dificuldade de lidar com o tempo “livre”, tamanho é o meu condicionamento baseado em horários e “coisas” a fazer. Mas acredito que essa reflexão seja feita por milhares de pessoas mundo a fora. E claro que isso se torna mais forte quando você dispõe de ”todo” o tempo do mundo e cabe a você administrá-lo sozinho com o que te faça sentido.  
Quando trabalhava 10 horas por dia, esperava ansioso pelo restante das horas livres para me ocupar de “prazeres” e o tempo era restrito. Hoje que o tenho, estou aqui escrevendo sobre minhas inquietações e do incômodo que todo esse tempo vem me causando.
Preciso fazer as pazes com o tempo!
Por que não simplesmente aproveita-lo sem sermos constantemente cobrados por nossa mente inquietante exigindo novos estímulos para que o dia tenha sentido?
Creio que o condicionamento desde a infância a horários, tarefas, fazeres, ocupar-se o tempo todo venha empobrecendo essa relação amigável com o tempo, com o ócio, com a contemplação e com o estado de uma mente tranquila e calma.
Já pararam para pensar que se tirarmos os estímulos externos corremos o risco de pirar? Parece que nossa existência sempre foi assim determinada por horários, por ocupações, por regras e por condicionamentos.
Ainda lúcido (risos), vou trilhando o caminho que me faça apaziguar com o tempo, ele continua tranquilo, ausente de inquietações, simplesmente é, nós é que estamos passando inquietos por ele.
O “tempo” ao nos ver passando deve esta sussurrando por calma e menos urgência.

Alexandre Malosti