Mostrando postagens com marcador AMORES DISSIMULADOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador AMORES DISSIMULADOS. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de outubro de 2011

AMORES DISSIMULADOS


O que deveria ser amor mostra-se como jogo de poder com cartas marcadas.
Idealizando uma relação perfeita, elaboramos fluxogramas de ações, desenhamos estratégias.
Amantes premeditados vivendo amores dissimulados.
Hoje sinto pena e também pena de mim.
Fico entediado ao ver tais relações.
Arrependo-me, já acolhi todo esse tédio.
Personagens. Interpretamos o que imaginamos ser esperado pelo outro.
Perdemos. Tentando se ajustar ao que supomos que o outro deseja.
Projeções ilusórias. Transferimos para o outro a responsabilidade de nossa felicidade.
Adjetivos frágeis que irão degenerar com a convivência. Madrasta rotina.
Mentimos para nós mesmos e enganamos o outro, mentiras que não resistirão ao tempo.
Escondemo-nos atrás de máscaras que cairão, reveladas por descuidos.
Experts em jogos de sedução.
Marqueteiros profissionais do amor.
Exímios maquiadores de suas imperfeições.
Arquitetos de castelos de areia. 
Atores talentosos e versáteis que transitam entre a comédia e o drama.
Quem ou o que realmente somos?
Miseráveis manipuladores.
Ganhadores de um jogo perdido. 
Já ganhei perdendo.
Hoje prefiro essa indefinição implícita nas relações.
Sentir-me vulnerável. 
Apto ao amor e ao sofrimento.
Não tendo medo de perder.
Não tendo medo de ganhar.
Entendi que nada precisa ser óbvio ou previsível.
O outro não é uma extensão do meu ser e não sou a extensão do outro.
Deixo-me envolver por essa penumbra de insegurança que me corrói.
Ao mesmo tempo em que me dá medo, também me instiga.
A ser verdadeiro, cúmplice e a amar de forma espontânea.
Compreendi que a relação é vivida por dois inteiros, diferentes, cada qual com suas vivências. 
Não quero ser o bagaço que vê no outro a metade da sua laranja.
Aprendi a sustentar o que sou e o que desejo.
Não quero ser dono nem aprisionar-me ao outro, mas manter-me inteiro e não fazer do outro um pedaço de gente. O outro tem que ser gente por inteiro.
Hoje não vivo amores dissimulados.
Só quero amores, apenas amores.
Talvez utópicos, mas não os dissimulados.

Alexandre Malosti