A angústia...
Por vezes toma conta da gente
Sinto-me sem vontade, sem desejo, deslocado
Alienígena em meu mundo
Não vejo sentido nas coisas, nas pessoas
Minha incapacidade de me sentir feliz
Não me iludo com facilidade
Esfrego em meu rosto a dureza da realidade
Bens materiais me atraem, mas depois que os tenho
Desinteresso-me com rapidez
O amor talvez não me faça mais feliz
Como posso fazer o outro feliz se não faço a mim mesmo
Compartilhar de dois, de ilusões
Busca da felicidade, ilusão insana
Para que optar por essa realidade dura?
Talvez seja melhor dizer-se feliz
Dormindo o sono dos inconscientes
Multidão de felizes perambulando anestesiados pelas ruas
Letargicamente felizes
Podem ter razão, questionar para que?
Melhor viver de pequenas alegrias e pequenas dores
Ignorando as “grandes dores”
E para que senti-las? O que irá mudar?
Diante da minha pequenez, isso só me contamina
Preciso de pílulas de ilusões e de esperança
Mesmo que sejam genéricas
Placebos que nos enganam, nos mantém vivos
Que nos fazem menos críticos
E mesmo enganados, provavelmente mais felizes
Alexandre Malosti
