Escolhas são difíceis, mas não sempre!
Pior que elas, apenas a impossibilidade
de não poder ou de não permitir-se fazê-las.
Estou no início de um processo de
mudanças, onde optei por abrir mão de uma suposta estabilidade, do salário no
final do mês e da ocupação do tempo.
Na real eu “forcei a barra” para
que isso acontecesse. A falta de sentido no que estava fazendo, estar onde não
queria, ser controlado por horários, entre outras coisas, me fizeram chutar o
balde e correr riscos.
Sem ter feito muito planejamento, imaginei que
ficaria parado imaginando o que iria fazer. Mas nessa transição, as
oportunidades foram me atropelando e comecei a desenvolver atividades
extremamente diversas, contrárias ao meu cotidiano até então.
Estou me aventurando nas artes gráficas,
dando aulas de cerâmica e continuando o trabalho como ceramista que já vinha
desenvolvendo em paralelo. Ainda nem
recebi a primeira parcela do famoso seguro desemprego, mas já fiz alguns
trabalhos gráficos, buscando novos clientes e dando aulas para professores de
artes. Tudo com calma, sem estar estressado, apenas deixando fluir.
Não sei onde nada disso irá me
levar, mas o que importa é que as coisas estão acontecendo, embora inseguro,
estou tendo uma clareza de ideias que não tinha antes. Vontade de prosseguir,
motivado e muito consciente de que nem tudo será fácil. Terei que abrir mão de
coisas, mas ganharei outras.
Relatei tudo isso, não para falar
apenas do momento que estou vivendo, mas principalmente para propor uma
reflexão da vida que estamos levando. O discurso de reféns do sistema já está
cansativo. Frases como “preciso trabalhar”, “não sei fazer outra coisa”, “quem
vai pagar minhas contas” e por ai vai, estão servindo para justificar esse aprisionamento
provocado por nós mesmos.
Mesmo que não sigamos os caminhos
desejados, temos que no mínimo saber quais poderiam ser. Sair dessa
mecanicidade diária e nos ouvir.
A vida é real, as contas também,
o sistema é perverso, etc. Mas e nós? O que queremos realmente? Que tipo de
vida queremos levar? Falta coragem? Percepção de si mesmo?
Não sei! Deixo apenas essas
perguntas para reflexão.
Alexandre Malosti
Alexandre Malosti
