A poesia para muitos é algo distante, pertencente apenas aos “poetas”, aos letrados e acadêmicos. Hoje, penso de forma diferente. Vejo nas poesias uma maneira de externar nossas vivências, nossas experiências, nosso cotidiano.
Através da escrita expressamos nossas opiniões, nossa forma de interagir com o outro e com o mundo, nossas dores, nossas alegrias, angústias, nosso universo interno materializado por meio das letras. O que pode diferenciar é a forma como se escreve: técnicas utilizadas, a falta de técnica e a linguagem. A expressão e a tradução desses sentimentos, independente dessa diferenciação, é poesia.
Essa interpretação de nós mesmos é essencial, é através dela que nossas expressões tornam-se ricas, diversas e passamos a entender e a interagir de forma mais harmônica com o mundo externo.
Traduzir para o papel ou para um editor de texto é só uma questão de atitude. Uma leitura de si mesmo, uma oportunidade para auto compreensão. Conhecer a si mesmo.
Comecei a traduzir meu universo interno há pouco tempo, uma dessas traduções resultou na poesia CÁRCERES GEOMÉTRICOS: Quadrados. Sou desses que não tem a técnica, nem a linguagem, apenas me permiti transcrever em uma folha de papel alguns dos meus questionamentos de forma simples e verdadeira.
E como um azarão que ganha uma corrida, tive o privilégio de ser premiado como primeiro colocado no IX Concurso de Poesias Poetas do Vale, realizado dia 18 de junho de 2011 em Taubaté.
Então se permita, abra sua mente e faça muita poesia.
Aproveito o post para parabenizar a nossa escritora do Tangram Lucimara Fernandes, classificada em sexto lugar com a poesia Noites de Inverno. Parabenizo também o André Bianc e equipe pela iniciativa.
Cárceres geométricos: Quadrados
Quadrados de um, de dois, de três
Quadrados de dez, de cem, de mil
Quadrados com entradas
Quadrados sem saídas
Mentes quadradas
Raciocínios lineares
Quadrados refrigerados
Quadrados aquecidos
Quadrados de pedra
Quadrados de vidro
Visões de mundo limitadas
Essências encapsuladas
Quadrados que acumulam angústias
Quadrados de alegrias
Quadrados para a insegurança
Quadrados que remetem a segurança
Sentidos efêmeros
Quadrados que protegem
Quadrados que impedem
Quadrados urbanos
Quadrados subterrâneos
Padrões regulares
Mesmices seculares
Quadrados sagrados
Quadrados profanos
Reféns de quadrados
Cárceres geométricos
Alexandre Malosti