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domingo, 30 de setembro de 2012

IMAGINAÇÃO FÉRTIL E PERIGOSA



Encontrei essa antiga imagem em um livro sobre arqueologia, descrevendo os significados dos símbolos e seu contexto para a época. Segundo o autor a imagem descreve a adoração dos membros daquela tribo pelo Deus Nyoveds, que representa a abundância e a fartura na caça e agricultura. Ao saírem para caçar os membros da tribo colocam uma máscara de proteção vista em um dos círculos, a representação humana aparece com movimentos de dança oferecendo presentes para a divindade, duas figuras animalescas representam provavelmente suas presas e as árvores que circundam a mandala representam o cultivo, a agricultura. Tudo é descrito de forma cíclica, levando a crer que esses povos antigos já tinham noção de tempo e possuíam seu próprio calendário.

Gostou da descrição da imagem? Pode parar.
Tudo isso foi inventado nesse momento, a imagem não é antiga, fiz ontem em um programa gráfico para me distrair. Durante essa distração comecei a refletir sobre o quanto somos vulneráveis aos fatos do passado, documentos e principalmente interpretações de terceiros. Basta estar registrado em um livro que a maioria acredita sem questionar, tomam como verdade absoluta e não estão abertos ao questionamento e a possibilidade daquela informação não passar de especulação e suposição frutos da mente de outro humano igual a nós.

Hoje isso acontece em nosso dia a dia em propagandas impressas, na TV e principalmente na Internet. Nossa preguiça e o cada vez mais distante raciocínio crítico nos levam a uma condução fácil e manipulação indiscriminada.

E como questionar tudo isso? Como saber se os fatos narrados foram verdades ou viagens de uma mente fértil? Não tenho essa resposta. Creio que quando se fala em autoconhecimento, mergulho interior, é conseguir acessar esses insights, conseguir colocar-se fora do contexto e usar do raciocínio e da intuição para se fazer uma leitura imparcial dos fatos e mensagens.

É difícil sair questionando tudo e nem há necessidade disso, apenas estar mais alerta em relação aos fatos, depoimentos e a própria estória.

Nossa imaginação é fértil e consequentemente perigosa. 

Alexandre Malosti