Encontrei essa antiga
imagem em um livro sobre arqueologia, descrevendo os significados dos símbolos
e seu contexto para a época. Segundo o autor a imagem descreve a adoração dos membros
daquela tribo pelo Deus Nyoveds, que representa a abundância e a fartura na
caça e agricultura. Ao saírem para caçar os membros da tribo colocam uma
máscara de proteção vista em um dos círculos, a representação humana aparece
com movimentos de dança oferecendo presentes para a divindade, duas figuras
animalescas representam provavelmente suas presas e as árvores que circundam a
mandala representam o cultivo, a agricultura. Tudo é descrito de forma cíclica,
levando a crer que esses povos antigos já tinham noção de tempo e possuíam seu
próprio calendário.
Gostou da descrição
da imagem? Pode parar.
Tudo isso foi
inventado nesse momento, a imagem não é antiga, fiz ontem em um programa
gráfico para me distrair. Durante essa distração comecei a refletir sobre o
quanto somos vulneráveis aos fatos do passado, documentos e principalmente
interpretações de terceiros. Basta estar registrado em um livro que a maioria
acredita sem questionar, tomam como verdade absoluta e não estão abertos ao
questionamento e a possibilidade daquela informação não passar de especulação e
suposição frutos da mente de outro humano igual a nós.
Hoje isso acontece em
nosso dia a dia em propagandas impressas, na TV e principalmente na Internet. Nossa
preguiça e o cada vez mais distante raciocínio crítico nos levam a uma condução
fácil e manipulação indiscriminada.
E como questionar
tudo isso? Como saber se os fatos narrados foram verdades ou viagens de uma
mente fértil? Não tenho essa resposta. Creio que quando se fala em autoconhecimento,
mergulho interior, é conseguir acessar esses insights, conseguir colocar-se
fora do contexto e usar do raciocínio e da intuição para se fazer uma leitura
imparcial dos fatos e mensagens.
É difícil sair
questionando tudo e nem há necessidade disso, apenas estar mais alerta em
relação aos fatos, depoimentos e a própria estória.
Nossa imaginação é
fértil e consequentemente perigosa.
Alexandre Malosti
