Um movimento acelerado toma conta de todos. Corrida para presentes, para preparar a ceia, para tirar o amigo secreto, dezenas de confraternizações (algumas até impostas, com pessoas que não temos a menor afinidade), casas cheias de luzes, enfeitadas, um verdadeiro conto de fadas.
Uma transformação acontece, mas é efêmera, frágil e acaba.
A embriaguez da fraternidade, da união, do amor ao próximo, da família unida que se manteve desunida o ano todo, ligações de amigos, etc. Tudo muito prazeroso e gostoso. Parece que a generosidade invade, incorpora nas pessoas nessa época. Mas tudo parece passar quando as garrafas se esvaziam.
Bom seria se nosso olhar refletisse durante o ano todo esse brilho natalino.
Bom seria se presenteássemos os “queridos” sem formalidades, datas e obrigações, apenas por carinho.
Bom seria se a fraternidade estivesse presente em nosso dia a dia, na fila do banco, no ônibus, na mesa do jantar, no trabalho, em nossa vida social.
Bom seria se a mesa fosse farta o ano todo, para todos, que não se esquecesse dos milhões que passam fome planeta a fora.
Apesar de tudo, essa data nos remete a reflexão, ou pelo menos deveria. Reflexão que nos faria renascer.
Desejo a todos um Natal não refletivo, mas sim reflexivo e que a embriaguez da fraternidade não passe.
Feliz Natal a todos.
Alexandre Malosti
